Crônica:

  • Veríssimo e o calor humano
    Arnaldo Niskier - 2011-12-31

    Luís Fernando Verissimo, filho do também escritor Erico Verissimo, é um dos maiores vendedores de livros do Brasil.  Das suas mais de 50 obras publicadas, registra-se a venda de 5 milhões de unidades, com absoluta primazia para o seu “O analista de Bagé”, que passou de 100 edições.  É um raro fenômeno literário, num país que ainda lê pouco.
     
    Com o seu espírito irônico, Verissimo não acredita na superação do livro impresso: “Os livros eletrônicos não têm calor humano.”  É uma forma de garantir a perenidade dos livros no formato tradicional, tão sensível ao hábito de milhões de  leitores, no mundo inteiro.      
          
    Numa  bela solenidade, em São Paulo, o autor de  “Em algum lugar do paraíso” recebeu da Sociedade dos Amigos da Universidade Hebraica de Jerusalém o Troféu Scopus 2011.  Tive o privilégio de fazer a entrega do prêmio, em nome do presidente Jaime Blay, e ainda por cima dizer algumas palavras de saudação ao homenageado.
     
    Sempre é difícil elogiar alguém de corpo presente, ainda mais quando esse alguém é caracterizado por uma enorme timidez.  Mas fiz o possível para não decepcionar o público, focalizando algumas das obras de pai e filho (Erico e Luis Fernando Verissimo).  Lembrei, na ocasião, o sucesso das obras de Erico Verissimo, especialmente a triologia  “O tempo e o vento”, com a lembrança do  trabalho   magnificamente transposto para a televisão (Rede Globo), alcançando notáveis  índices de audiência (o capitão Rodrigo era interpretado pelo ator Tarcísio Meira).
     
    No caso de Erico, foi um grande amigo do povo judeu.  Visitou o Estado de Israel e fez uma enorme pregação em defesa da paz, na região, defendendo  o completo entendimento entre os povos concernentes.  Escreveu o livro “Israel em abril”, mostrando tantos aspectos positivos da jovem nação que a obra se tornou uma grande referência turística.  O filho Luís Fernando, no ano de 2007, também esteve no Estado de Israel, representando o pai numa série de  homenagens à sua memória.  Repetiu o desejo de paz e concórdia.
     
    A  láurea recebida por Luís Fernando Verissimo já foi entregue a muitas personalidades, como o  maestro Zubin Mehta, o diretor Roman Polanski, o ex-presidente Bill Clinton, o ex-premier Tony Blair e o cantor e compositor Gilberto Gil, premiado quando era nosso Ministro da Cultura.
     
    Ao falar na solenidade, Verissimo, chamado pela neta Lucinda (4 anos) de “meu príncipe”, elogiou a instituição premiadora: “A Universidade Hebraica de Jerusalém, pelo seu prestígio internacional e pela sua associação com grandes entidades, em todo o mundo, recupera o sentido original da palavra “universitas”.  Ela é uma verdadeira cidadela da razão.  E a razão prevalecerá.”
     
    E  em outro momento: “Meu pai não tinha dúvidas de que o povo judeu, que afinal é o povo do livro, do pioneirismo científico e do amor à cultura, encontraria uma maneira de garantir a sua própria existência com segurança e paz, sem perder de vista a causa do outro povo da região.  É nisso que eu também acredito.”
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