Crônicas

  • Berbara, o rei dos Musicais
    Arnaldo Niskier - 2021-03-27



    Como Secretário de Estado de Educação e Cultura do Rio de Janeiro, servindo ao governo Chagas Freitas, tive o privilégio de ser acionado por dois amigos para a produção do musical “Evita”, no Teatro João Caetano, em 1983. Eram eles Maurício Sherman e Vítor Berbara, ambos já falecidos.

    Eles se admiravam e brigavam a três por dois, às vezes até por motivos banais. Era necessário a existência de um “tertius” para que a paz voltasse a reinar, a partir dos ensaios, sempre muito animados. Eu era essa pessoa, admirado pelos dois parceiros, que escolheram artistas renomados, como Mauro Mendonça, Carlos Augusto Strazzer e a excelente canora Cláudia. Assim foi montado o sempre lembrado musical, que ultrapassou o prazo do meu mandato.

    Primeiro perdemos o diretor Maurício Sherman e mais recentemente, com 92 anos de idade, foi a vez do querido amigo Berbara. Um enfarte tirou a sua vida. Foi um homem de rádio, televisão e teatro, sempre muito exigente, nas suas várias produções. Gostava de publicidade e deu vida à Agência Century, que se tornou uma das mais importantes do país. Cheguei a visitá-la nas instalações de São Cristovão, preparadíssima para os trabalhos de dublagem, em que também se destacou. Segundo sua filha, Berbara amava sobretudo as artes cênicas: “Por tudo tinha imensa curiosidade. Só parou de frequentar cinemas e o teatro quando apertou a crise da triste pandemia.

    Na rica biografia de Vítor Berbara, podemos assinalar o histórico musical “My Fair Lady”, com 1962, com Bibi Ferreira, Paulo Autran e Jaime Costa. Também ficou muitos meses em cartaz. Depois tivemos o “Liberdade para as borboletas”, “O prisioneiro da Segunda Avenida”, “Blum”, “Promessas e promessas (com a cantora Rosemary) e “Hello, Dolly”, com Bibi Ferreira e Paulo Fortes.

    Além do sucesso nesses espetáculos, Berbara estudou Medicina, mas antes de concluir passou pela Psicologia. Depois da conclusão do curso, com a sua natural inquietude, fez um segundo curso, que foi o de Direito. Mas a vocação mesmo estava voltada para as artes cênicas, a que se dedicou com imenso fervor e muita competência. Com esposa argentina, estendeu suas atividades artísticas a Buenos Aires, onde também atuou de maneira destacada. A cultura brasileira sente muito a perda de um dos seus maiores vultos.

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