Dentro da sua programação cultural, a Academia Brasileira de Letras selecionou Antônio Gois, filho do jornalista Ancelmo Gois, para falar sobre Passado, Presente e Futuro da Educação. Iniciou afirmando que a romantização do passado prejudica a conceituação do que se entende por educação brasileira.
Considera que a tecnologia faz mal à educação.
A primeira promessa não cumprida foi em 1822, com D. Pedro I. Vieram outras, sobretudo no sistema de alfabetização. Queremos um sistema público aberto a todos. Queremos a democratização da educação, mas estamos atrasados nesse processo.
A primeira escola de formação de professores foi criada em Niterói, mas não houve continuidade. Os apoios financeiros sempre foram precários. Com a expansão da cultura do café poderia ter crescido o interesse pela formação de professores, mas o que aconteceu foi uma exclusão de massa. Não há educação pública de qualidade. De cada 1.000 crianças que entram na escola, apenas 404 sobrevivem na série seguinte.
Na Reforma Capanema, o ensino pré-vocacional foi destinado às classes menos favorecidas. Não cumpriu totalmente seus objetivos. Os pobres são as maiores vítimas desse sistema injusto. Nossa educação é deficiente. Sente-se a diferença de vocabulário nas crianças a partir dos 18 meses de vida.
Estamos formando analfabetos funcionais.
Sobre o futuro, não cremos que a máquina irá resolver os nossos problemas. Vamos depender de muita criatividade. Temos que desenvolver o ensino técnico-profissional, para a expansão do ensino médio. Devemos desenvolver um ensino crítico, capaz de resolver problemas complexos. Nossa demografia é favorável, mas é preciso criar um modelo favorável, o que hoje infelizmente não temos.
Nossas crianças são abaladas por um sistema infelizmente pobre, e que afeta a educação. Isso prejudica a nossa educação.