Crônica: Etiquetar o mundo
Arnaldo Niskier - 2026-05-12
Graças à evolução dos estudos sobre a inteligência artificial será possível, em breve, entender o que as baleias estão dizendo, sabendo-se que elas sempre emitiram sons, até agora incompreensíveis. Como elefantes, cachorros e macacos estão nessa lista de estudos que se referem basicamente ao comportamento animal.
 
O uso da IA permitirá em breve a decodificação em massa, inaugurando uma nova e importante fase. Mecatrônica e ciência da computação deram-se as mãos. Com o uso de algoritmos generativos do tipo ChatGPT robôs poderão etiquetar o mundo. Viveremos, sem dúvida, uma nova fase, em que se prevê também a decodificação de línguas extintas. Temos um particular interesse nos estudos sobre as origens e a extensão da língua latina.
 
Para o acadêmico Cacá Diegues, estamos diluindo as barreiras entre humanos e máquinas. Já existem 100 milhões de pessoas utilizando o ChatGPT. &ldquoA IA escreverá poemas ou prosa no estilo do autor preferido, além de resolver problemas intrincados de Matemática. Chegará até a dar conselhos amorosos. Queremos mais?&rdquo Há em curso um notável boom de conhecimentos, como a nossa geração nem pensou em compartilhar.
É por essas e outras que a expressão inteligência artificial ganhou notoriedade. Com todas as suas alucinações e delírios, que merecem os cuidados devidos em seu uso, que não pode ser totalmente livre.
 
A IA não está isenta de críticas severas. O jornal &ldquoNew York Times&rdquo, por exemplo, acusou o robô de bate-papo de copiar seus textos e de violar o que deveria ser uma questão sagrada: o pagamento de direitos autorais. O caso, como não poderia deixar de ser, foi parar na Justiça. Aqui se insere também a complicada questão do plágio, agravada pela existência comprovada de &ldquoalucinações&rdquo. Autores, consagrados ou não, feridos em seus direitos, não concordam com o que chamam de  &ldquoroubo sistemático em larga escala&rdquo. Isso terá de ser corrigido, assim que possível, nessas relações inevitáveis.